A Educação Permanente enquanto eixo fundamental para o desenvolvimento de competências necessárias ao processo de trabalho em saúde. Claudette Oliveira Alexandrino

December 1, 2015

Uma conduta muito comum nas instituiçoes de saúde é submeter os profissionais à treinamentos sempre que enfrentam um problema com a equipe, seja no âmbito da assistência, seja frente a necessidade de melhoria de um indicador gerencial, entre outros. O que para os gerentes parece ser a fórmula mágica para os profissionais parece um martírio, pois além de inúmeras queixas para participarem, pouco se aproveita da abordagem, de fato, no enfrentamento dos problemas que vivenciam em seu cotidiano. Onde então se encontra a convergência entre o interesse dos sujeitos envolvidos? Por que não se pensa o processo de trabalho vinculado à construção de uma estratégia de mudança institucional? Claudete, neste texto, vem compartilhar suas reflexões embasadas no conceito de alteridade, que nos invoca ao reconhecimento das várias subjetividades presentes em qualquer  espaço social: "Há pouco mais de um ano venho buscando construir esse eixo tão importante para o processo de trabalho e agora recebo o desafio de discorrer sobre ele. Essa é uma tarefa complexa visto que para trabalhar com os conceitos de educação permanente e competência faz-se necessário primeiro a desconstrução de práticas que impregnam o nosso cotidiano de trabalho, reduzindo o significado real desses conceitos.Começo por competência, termo que tem habitado o universo das práticas pedagógicas. Apesar de várias definições, opto pela utilizada por Perrenoud que diz que competências não são estáticas, muito pelo contrário, elas tem como característica a mobilização de diversos recursos para enfrentamento das situações. Contudo, uma breve leitura de muitas diretrizes curriculares nos leva ao engessamento desse conceito, uma vez que as competências tem sido descritas como regras, muitas vezes exatas, de como desenvolver habilidades necessárias à prática do cuidado. A Educação Permanente caminha pelo mesmo percurso, visto que, muitas são as vezes que conversando com colegas ou visitando Instituições percebo que a prática da Educação Permanente tem se restringido a realização de treinamentos, palestras e avaliações de aprendizado pouco expressivas, que nada traduzem o que de fato é a Educação Permanente. A Educação Permanente é um eixo estruturante fundamental na prática de trabalho em saúde, pois propicia o desenvolvimento de competências a partir do encontro entre os sujeitos que compõem o cenário de saúde. Trata-se do aprendizado cotidiano a partir da valorização de cada ator envolvido nesse processo. E, infelizmente, esse é o maior desafio, pois regras e normas não são capazes de delimitar o escopo de abrangência dessa práxis. Fazê-la ainda requer enfrentamentos diários e implicação constante. É imperativo dizer aqui da necessidade de jamais perder de vista os 4 pilares da Educação: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser. Mas, não na lógica habitual, da acumulação de conhecimento, da repetição de práticas e da aglomeração de pessoas, mas sim do entendimento do contexto, da valorização das diferenças como maior riqueza da humanidade e da produção de modos de fazer mais inclusivos e solidários que considerem sempre o outro na construção de si. Encerro compartilhando com vocês a palavra que mais tem me levado a reflexões nesses últimos dias. ALTERIDADE. Acredito que a prática da Educação Permanente enquanto eixo capaz de propiciar o desenvolvimento de competências dos trabalhadores e usuários perpassa fundamentalmente pelo que aqui chamarei de princípio da alteridade."

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