Responsabilidade da atenção à saúde: um reflexo do que somos! Vânia Donnabella

November 24, 2015

Sua profissão é apenas uma escolha de exercício laboral ou é parte de um projeto de vida? Este questionamento me instiga sempre que percebo uma prática despersonificada, onde o agir técnico captura a presença do sujeito que a realiza. A reflexão que Vânia nos proporciona neste texto, sobre o desenvolvimento da competência "atenção à saúde", busca resgatar o sentido que damos à nossa prática. Bom texto para nós, profissionais da saúde, cujo agir deve dar sentido á nossa vida  e a de tantas outras! 

 

 

Reza a lenda, que no escopo profissional da saúde,  devemos  estar aptos a desenvolver ações de prevenção, promoção, proteção e reabilitação da saúde, tanto em nível individual quanto coletivo; devemos realizar  serviços dentro dos mais altos padrões de qualidade e dos princípios da ética/bioética; ser capazes de pensar criticamente, de analisar os problemas da sociedade e de procurar soluções para os mesmos....etc, etc, e etc.... Todos nós somos convocados a responder por ações , que de fato, expressem os ditames da cartilha.

               Entretanto, essas não são ações possíveis ao comportamento , apenas pelo exercício técnico. Não se trata de desenvolvimento de habilidades e atitudes para um  trabalho que venda uma ideia de estarmos fazendo um serviço humanizado. 

Nas ações humanizadas, em saúde, ou não, estão implícitas as interações que valorizam as escolhas dos sujeitos em situação de atenção à saúde. Tais ações profissionais, queiramos ou não, estão  alinhadas e integradas aos sujeitos das ações profissionais, que expressam um novo jeito de pensar, sentir e fazer assistência em saúde. As concepções como afirmações de autonomia e protagonismo do profissional que sabe que o mais importante é o sujeito que se encontra em situação de enfermidade. Não o contrário: uma enfermidade que , lamentavelmente, carrega um sujeito atrás de si.

             O que isso, de fato, tem a ver com a atividade do profissional “responsável” pelos desdobramentos práticos dos princípios da humanização, passa a ser o ponto focal desta reflexão.  O que cabe a nós? Onde encontramos recursos para aprendermos como é que se faz uma saúde que seja reconhecida como humanizada? As nossas ações práticas cotidianas são vinculadas aos sentidos que atribuímos a elas e,  os sentidos que atribuímos, são construídos e legitimados por nós, traduzindo  nossos entendimentos individuais relacionados às múltiplas interações que vão se dando  ao longo de nossas vidas. Elas retratam nossos posicionamentos políticos e éticos, e, queiramos nós ou não,  eles se tornam públicos.

            É... estamos expostos! A saúde que praticamos é um reflexo do que somos. Então, esse é o melhor reflexo que podemos conseguir nesse imenso espelho da assistência  que fazemos? Nossos sentidos são produtores de realidade profissional  enquanto profissionais em exercício.  São formas de ação social, posicionamento político, consciência cidadã, ou qualquer outro jargão em voga,  expressas nas nossas intervenções com o outro que é portador de sofrimento.

            Talvez seja oportuno pensarmos que o profissional da saúde precisa  responder, através do seu ato individual, a expressão dos princípios contidos na intenção engajada, de promover a valorização da humanidade presente no outro e em si.  As nossas concepções sobre saúde  não estão dadas a priori, são construídas socialmente, na interação com a própria saúde. Dessa forma, estes sentidos ou concepções devem ser constantemente colocados em análise , caso contrário, passam a ser um desafio a mais a ser enfrentado na difícil jornada da assistência.

             

 

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